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O Paço dos Duques de Bragança, primeira sede da Casa de Bragança, em Guimarães Acesso prioritário disponível

A Casa de Bragança: de um paço em Guimarães ao trono de Portugal

Como o solar de um filho ilegítimo em Guimarães se tornou a sede da família que viria a governar Portugal e o Brasil — a história por detrás do Paço dos Duques.

Atualizado em agosto de 2026 · Equipa de Concierge de Paço dos Duques Tickets

Compreender o Paço dos Duques de Bragança é compreender a família que o ergueu. A sua história percorre um caminho que vai de um filho real ilegítimo no século XV até aos últimos reis de Portugal no século XX — e começa neste paço em Guimarães.

Afonso, o primeiro duque

O fundador da linhagem foi Afonso, Conde de Barcelos, filho ilegítimo do rei D. João I de Portugal e de Inês Pires. Legitimado e ricamente dotado, casou com a poderosa família de Nun'Álvares Pereira, herdando vastos domínios que o tornaram no maior proprietário do reino.

Em 1442, o regente D. Pedro conferiu-lhe o título de 1.º Duque de Bragança — o primeiro ducado em Portugal não detido por um membro da própria família real — estabelecendo uma casa que viria a ombrear com a coroa e, eventualmente, a herdá-la.

A construção do paço em Guimarães

Afonso tinha percorrido as cortes de França, Veneza, Aragão e Castela e, por volta de 1420–1422, iniciou em Guimarães uma residência que refletia esses gostos setentrionais: um solar borgonhês de telhados íngremes e altas chaminés de tijolo, diferente de tudo o que existia em Portugal. Era uma declaração da riqueza e da ambição da nova casa, erguida no berço simbólico da nação.

Os seus descendentes ampliaram-no ao longo do século XVI, mas o centro de gravidade da família já se deslocava para sul.

A mudança para Vila Viçosa

Durante o século XVI, os Duques fizeram do grande paço de Vila Viçosa, no Alentejo, a sua sede principal, e o paço de Guimarães permaneceu fechado durante longos períodos — provavelmente nunca totalmente concluído. Durante séculos, foi deslizando para a ruína, servindo de pedreira, enquanto a sorte da dinastia ascendia noutros lugares.

O facto de o palácio ter sobrevivido para ser reconstruído é, de certo modo, um acaso do afastamento da família.

De duques a reis: a Restauração de 1640

Portugal passou sessenta anos sob os Habsburgos espanhóis depois de 1580. Em 1640, um grupo de nobres aclamou o 8.º Duque de Bragança como rei D. João IV, pondo fim à união e fundando a dinastia real de Bragança. A família que começara numa casa senhorial de Guimarães detinha agora o trono de Portugal — um trono que manteria até à queda da monarquia em 1910.

Os Braganças governaram durante a era do império, o terramoto de Lisboa, as invasões napoleónicas e a modernização errática do país.

Imperadores do Brasil

A influência da dinastia estendeu-se para além do Atlântico. Quando a corte portuguesa fugiu de Napoleão para o Rio de Janeiro, deu-se início ao caminho do Brasil para a independência — e em 1822 um príncipe de Bragança, Pedro, tornou-se o primeiro Imperador do Brasil. Durante grande parte do século XIX, portanto, ramos da mesma família fundada em Guimarães reinaram em dois continentes.

O império brasileiro durou até 1889; a monarquia portuguesa até à revolução de 1910.

O renascimento do palácio — e o que vê hoje

Classificado como Monumento Nacional em 1910, o arruinado palácio de Guimarães foi dramaticamente reconstruído durante o regime do Estado Novo a partir do final da década de 1930 e transformado em residência oficial da Presidência da República no norte. Essa restauração é controversa — os críticos dizem que inventou uma grandiosidade que o edifício nunca teve — mas salvou o monumento e tornou-o visitável.

Assim, quando percorre hoje a sala de banquetes e as salas de tapeçarias, está a atravessar a primeira casa de uma família que moldou seis séculos de história portuguesa e brasileira — reconstruída, reinterpretada e devolvida à cidade onde tudo começou.

Perguntas frequentes

Quem foram os Duques de Bragança?

A mais poderosa casa nobre de Portugal, fundada em 1442 com Afonso, filho ilegítimo do rei D. João I. Tornaram-se reis de Portugal em 1640 e mais tarde imperadores do Brasil.

A Casa de Bragança ainda existe?

Sim — a linha de Bragança continua como a antiga casa real de Portugal, embora a monarquia em si tenha terminado em 1910. Os atuais representantes são descendentes do ramo real.

Porque é que o palácio fica em Guimarães se a família se tornou real?

Guimarães foi a primeira residência do Duque no início do século XV. A família mudou depois a sua sede para Vila Viçosa, tendo apenas herdado o trono em 1640 — muito depois de o palácio de Guimarães ter sido construído.

Será que os Braganças realmente governaram o Brasil?

Sim — um príncipe de Bragança, D. Pedro, tornou-se o primeiro Imperador do Brasil em 1822, e a família reinou até 1889, num império separado do reino português.

Como é que esta história molda uma visita?

O palácio é o ponto de partida físico de toda a história — a primeira casa de uma dinastia que viria a governar dois países. Saber isto transforma um passeio pelas salas numa viagem às origens do Portugal moderno.